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O Poder Pessoal

Esta semana recebi um e-mail a questionar-me se alimentar o Poder Pessoal não seria, de certa forma, inflamar o ego. Pensei sobre o assunto porque, assim de repente, até parece ser. Mas a forma como entendo o Poder Pessoal relaciona-se com promover a auto-estima, o valor próprio e o respeito pela nossa essência. E quem se respeita acima de tudo claro que também respeita o próximo.

Uma das participantes do workshop de Poder Pessoal contava-me que, ao confrontar-se com uma situação, utilizou algumas técnicas para fazer prevalecer esse poder e ficou espantada com o respeito que recebeu da outra parte e com a forma como se sentiu bem com isso.

Nem a propósito, também esta semana me vi “obrigada” a ter bem presente o meu Poder Pessoal e a manifestá-lo. E foi muito diferente de há uns anos, quando o cedia aos outros.  Estar “centrado” é ter Poder Pessoal. Dizem os entendidos que o nosso “centro” fica três dedos acima do umbigo. O desafio é conseguir manter aí concentrada a energia, mesmo perante situações mais adversas. E verifica-se que uma reacção que saia a vibrar do nosso “centro” é diferente de outra que não tenha esse ponto de partida.

Experimentem, com um simples exercício de respiração, levar o ar até ao vosso “centro”, inspirando pelo nariz e expirando pela boca. Aos poucos vamo-nos libertando das tensões e pensamentos tóxicos, ficando mais próximos do Poder Pessoal.

Agradeço às mulheres fantásticas que participaram no workshop Recuperar o Poder Pessoal toda a partilha e momentos proporcionados. Lidar com os nossos medos/ansiedades/pensamentos tóxicos não é fácil e querer mudar e assumir o poder pessoal muito menos. Parabéns a todas pela coragem e abertura de espírito.

Aqui ficam algumas imagens para mais tarde recordar: 

O grupo

As deusas

A partilha

A partilha

Conto tradicional indígena:

Um avô estava a conversar com o seu neto sobre muitas coisas. Ele disse-lhe: “Eu sinto como se estivessem dois lobos a lutar no meu coração. Um lobo é vingativo, furioso e violento. E o outro é amoroso, compassivo e forte”.

O neto perguntou ao avô: “E que lobo vai ganhar essa luta no teu coração?”

O avô respondeu “Aquele que eu alimentar”.

Ouvia hoje na televisão uma psicóloga apelar ao espírito positivo em tempos de crise e lembrei-me que, realmente, a nossa postura perante as dificuldades faz toda a diferença. É sempre um desafio conseguirmo-nos manter confiantes e cheios de esperança quando tudo à nossa volta parece estar a ruir.

Dou comigo a pensar algumas vezes (aquelas em que não penso o contrário) em como todas estas dificuldades que enfrentamos podem ser uma verdadeira oportunidade de mudança. Rever prioridades, valores, empregos, relações, etc, etc, etc. A mesma psicóloga que vi na televisão dizia que as pessoas se concentram muito naquilo que ainda lhes falta para serem felizes. E vai sempre faltar alguma coisa, o que mantém os níveis de insatisfação sempre activos. Uma das propostas era precisamente pensarmos o contrário: o que já tenho na minha vida que me tem feito (faz) feliz?! Eu já experimentei este exercício e as respostas revelam-se surpreendentes.

“Forget Injuries, never forget kindness.”

Chinese Proverb

“Joy is the holy fire that keeps our purpose warm and our intelligence aglow.”

Helen Keller

“Perhaps only those people who are capable of real togetherness have that look of being alone in the world.”

DH Lawrence

Tinha pensado, nos próximos dias, enquanto estou ausente, apenas deixar umas pequenas frases no blogue para que não pareça abandonado. Mas os convites que a vida me tem feito a olhar para algumas questões com as quais me debato levaram-me a querer vir aqui partilhar algo mais. 

Aterrei já noite num país cheio de neve, como nos verdadeiros contos de Natal. Até ao destino tinha 250 quilómetros de condução pela frente, que costumo fazer em menos de três horas. Desta vez, estava à minha espera uma das maiores e mais gratificantes “jornadas” que posso dizer que fiz nos últimos tempos.

Habituada a chuva e não a neve, pus-me a caminho, divertida com os flocos que caíam e com tudo o que ficava branco à minha volta. Nada comparado com o que tinha visto até aqui! Um percurso que acabou por demorar 6 horas a fazer, entre paragens forçadas por causa da neve, camiões a patinar no gelo, umas perdas de orientação por causa das placas cobertas de branco e o meu carro a não querer obedecer ao meu controlo. Palavra-chave! Controlo. O que acontece quando se perde o controlo?! Ganha-se medo. 

Alguém tem compaixão de mim: “Bolas! Que grande stress!!!” Hmmm. Não, desta vez não. Muito pelo contrário. A velocidade baixíssima a que era obrigada a andar em conjunto com a música, tudo branco à minha volta e as pessoas solidárias a ajudarem-se mutuamente levou-me a entrar em total estado de paz interior e a acreditar que, apesar do perigo, vale a pena correr o risco. Troquei o medo inicial por várias certezas. Eu sabia que ia chegar ao meu destino sã e salva; eu sabia que esta era uma oportunidade única de usufruir de uma grande aventura; eu sabia que não iria ficar bem se escolhesse o mais cómodo e não corresse o risco. Aliás, se tivesse escolhido ficar num hotel e viajar no dia seguinte já não seria possível porque as estradas foram cortadas. Tinha um objectivo em mente (chegar viva ao meu destino) e nada me fazia desfocar dele. 

“Take the risk!”, dizia alguém a propósito do que fazemos com as nossas vidas. Eu concluí que quando temos muito a certeza de algo e estamos confiantes que vai dar certo, nada poderá mostrar-nos o contrário. Concluí, também, que a vontade e o poder pessoal podem muito mais do que qualquer força exterior que nos tente impedir (com as devidas excepções, é claro, e com as devidas precauções).

Não queria deixar de partilhar uma foto desta absoluta beleza que me fez realmente sentir aquilo que já sabia, mas de que me esqueço muitas vezes: não importa as adversidades que nos aparecem pela frente; a diferença está na forma como as olhamos e vamos além delas. 

Até já!

“Happiness is not a station you arrive at, but a manner of travelling”

Margaret Lee Runbeck

“Begin at once to live, and count each separate day as a separate life”

Seneca