Confesso que estou um bocado farta das notícias sobre a crise. Ver um telejornal ou ler os diários põe-nos deprimidos, assim como falar com algumas pessoas. Já repararam que anda quase tudo triste, preocupado e sem esperança?! Depois descarregamos uns nos outros e gastamos muita da nossa energia em preocupações que de nada valem.
Algumas vezes encontro-me no limbo entre as trágicas evidências de uma crise anunciada e a esperança inabalável de que há outro projecto para mim, mesmo com o mundo em crise. Se a vida é feita de ciclos e não andamos todos ao mesmo ritmo, por que razão teremos então todos de estar em crise? Pode ser que para alguns de nós – sobretudo os que têm andado em crise há muito tempo – esta seja a altura das vacas gordas e das grandes oportunidades.
Acho que vale a pena pensar nisso. Ir além das crenças exteriores do “já estás velho para trabalhar”, “já é tarde para ter filhos”, “o mercado está cheio”, “ninguém te vai pagar muito” e acreditar que, se a nossa vida tem um sentido espiritual, então não se rege apenas pelas leis materiais e palpáveis. Também me cabe a mim renunciar a esta crise – eu sei que é difícil – e tentar pensar contra a corrente. Hoje, apesar da chuva e das notícias das agências de rating, apetece-me rir e apregoar aos quatro ventos que “EU NÃO ESTOU EM CRISE!”
O meu desafio para este Natal é que redefinamos as nossas prioridades e os gastos (e vamos ver que não precisamos assim de tanto) e ousemos dizer “não!” à crise. Podemos pagar mais impostos e não ter aumentos de ordenado, mas ninguém nos pode tirar o sorriso dos lábios e a vontade de acreditar que tudo está e vai ficar bem.