Há semanas que as montras se enchem de corações, as publicidades de sugestões de presentes, os restaurantes de ementas “especial dia dos namorados”. Por um lado, facilitam-nos a vida, pois andamos todos acelerados com o trabalho e os afazeres diários que não sobra muito tempo para nos preocuparmos com outras coisas. Por outro lado, quase nos obrigam a entrar na engrenagem de ter de oferecer um presente, jantar fora, ter um gesto especial, celebrar o dia, etc, etc, etc.
Às vezes dou por mim a pensar como perde tanto a graça deixarmos que sejam os outros a decidir por nós o que fazer e, mais importante, quando fazer. Cada um tem o seu tempo, o seu ritmo, a sua energia, os seus humores. E hoje pode apetecer a alguém ficar enfiado em casa a ver um filme em vez de se sentar com o seu mais-que-tudo num restaurante cheio de casais, que não podem falar intimamente porque na mesa quase em cima da sua está outro casal que se juntou no mesmo sítio, à mesma hora, para celebrar a mesma data!
Confesso que, de vez em quando, gosto de “virar tudo do avesso”. E proponho – neste dia que já deixou de ser especial porque todos fazem as mesmas coisas ao mesmo tempo – que aproveitem para reflectir sobre o Amor. O que é o Amor? Como é o vosso Amor? É realmente Amor o que sentem pelo outro?
Um dia alguém me dizia “Será que se pode chamar Amor às relações de dependência que vivemos?! Não será o Amor a maior fonte de Liberdade?!”. Hmm. É duro e complexo filtrarmos as nossas relações por este prisma, não é?! Mas é esta a reflexão que proponho para um dia como os outros, que tentamos tornar especial.
Proponho, também, a quem hoje não tem namorado e pode estar triste com isso, que pense como nem tudo é o que parece. E a vida é feita de escolhas. Se hoje alguém escolheu viver um relacionamento e manter-se nele – signifique isso estar bem ou estar mais ou menos -, outros escolheram não ter um parceiro porque se querem encontrar, porque não se apaixonaram, porque se sentem bem sozinhos ou simplesmente porque sim. E tudo é aceitável, vale o que vale, faz parte da vida.
Na minha vibração de “virar tudo do avesso”, proponho que aceitemos cada vez mais que deixou de haver um padrão de relação e de compromisso. E que percebamos que muitos dos complexos e barreiras que atribuímos à sociedade e aos outros estão nas nossas cabeças.
Read Full Post »