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Archive for Março, 2011

O poder pessoal existe, enquanto centro energético, no nosso plexo solar (podemos imaginá-lo como uma bola no meio do nosso estômago). Funcionando como um núcleo magnético da personalidade e do ego, é lá que se concentra a auto-estima, a força de carácter, o respeito por nós, a capacidade de lidar com as crises e a coragem de assumir riscos. Muitas vezes cedemos esse nosso poder aos outros e sentimo-nos como balões de ar que se esvaziam.

Neste encontro, cada participante vai entrar em contacto com o seu poder pessoal e aprender técnicas que lhe permitem cuidar deste centro energético e evitar cedê-lo aos outros.Parta numa divertida aventura de auto-conhecimento através de diferentes exercícios de respiração, cura de pensamentos tóxicos ou pôr a funcionar a lei da atracção. Com este workshop vai perceber que “Somos os únicos que verdadeiramente têm o poder de mudar as nossas vidas” (Sandra Ingerman)

Duração: 
4 horas cada
Data: 3 Abril (das 16h às 20h)
Valor: 40€/pessoa
Local: Terapias do Amor e da Alegria – Travessa do Giestal, 48 – B (Lisboa) – 213 640 328 ou 963 990 615

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Dia 23:

O templo da fertilidade que, apesar das formas fálicas, é o templo da criatividade e dos novos comecos

Hoje é o último dia desta intensa jornada em que vamos estar todas juntas em cerimónias. E está prometido um dia especial, já que vamos acompanhadas pelo xamä Raul. O primeiro ponto de paragem é o Templo da Fertilidade, que Raul explica que näo é o templo para quem quer ter bebés, mas para todos aqueles que querem pôr em marcha os seus projectos e decisoes de futuro. E é aqui que temos o nosso primeiro ritual com este intrigante xamä.

Seguimos para o Spirit Valley, um antigo e importante local sagrado cheio de rochas que representam formas de animais e pessoas. Diz-nos Raul (e mostra-nos nas pedras) que estes locais estäo a perder-se, também devido à erosäo. E que só a sua energia e o que representaram vai poder ficar na memória das suas gentes.

O grupo a percorrer, com o xamä, a serpente (animal que para os Incas representava o Mundo Inferior)

Enquanto nos explica os significados de tudo e nos leva a reflectir sobre a vida, ouvimos uma pancada seca e vemos que um enorme cäo acabou de ser atropelado na estrada, mesmo ao nosso lado. Fez-me impressäo o facto de  condutor nem sequer ter travado, quanto mais parado para auxiliar o animal. Emocionou-me o facto de o Alberto e o xamä Raul terem feito parar o trânsito para retirar o animal da estrada e deixar o corpo protegido dos carros, no meio da Natureza. Raul explicou-nos que quando uma alma cumpre a sua missäo numa vida, é altura de evoluir e seguir o seu processo. Mas ser testemunhas disso custa sempre muito, mesmo tratando-se de animais.

O dia seguiu com mais uma marcante cerimónia e a partilha com o Raul. Achei piada quando ele disse: “Temos de ser a primeira, a segunda e a terceira pessoa mais importante das nossas vidas. Só depois conseguimos estar preparados para Amar os outros. E isto näo é uma questäo de ego!” As despedidas desta longa e intensa jornada foram feitas com um divertido jantar em grupo e as promessas de um “até breve”. Amanhä seguimos viagem para Cusco, onde cada uma partirá depois para casa ou para novas aventuras.

A mim vai calhar-me a selva. A Rosa está à minha espera para me falar de plantas medicinais e me apresentar a um xamä local. Vou estar quatro dias rodeada de verde e, certamente, de muitos insectos que väo querer cumprimentar-me. Voltarei em breve com novidades do que resta desta aventura.

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Dias 21 e 22:

Mulheres com trajes típicos recebem-nos na ilha de Uros

Mais uma vez comecamos bem cedo o nosso dia. Hoje vamos de barco até à ilha de Amantaní, onde uma família nos espera para pernoitarmos. Säo quatro horas no Lago Titicaca, de impressionante beleza. Mas, pelo caminho, ainda vamos fazer uma paragem na ilha flutuante de Uros. Somos recebidos por mulheres vestidas a rigor, que nos apresentam a ilha e nos vestem os seus fatos e colocam os seus chapéus (se algum dia ganhar coragem mostro aqui as fotos, mas garanto que lhes fica melhor a elas). Explicam-nos como vivem isolados do mundo, em família, como montaram as estruturas e como podem facilmente libertar-se de quem incomodar (é possível separar uma parte da ilha se, por exemplo, uma família näo estiver a contribuir para o bem da comunidade).

A ilha flututante de Uros, vista da torre de vigia

Bebemos chá de coca e comemos o bolo que levámos enquanto ouvimos a explicacao do responsável da ilha. Convidam-nos a entrar nas casinhas onde näo existe luz nem água e onde chegam a conseguir estar quatro pessoas (pai, mäe e dois filhos). Pergunto-lhes se näo gostariam de viver em Puno, na cidade. Dizem-me que estäo ali desde que nasceram, além de que viver na cidade é demasiado caro (algo, para nós, difícil de imaginar, tendo em conta o valor da moeda peruana). Como vivem dos trabalhos artesanais que fazem, tentam vender-nos mantas, colares, espanta-espíritos e barquinhos (reproducoes dos que usam na ilha), mas temos de seguir viagem e näo podemos comprar tudo.

Uma das muitas coreografias e trajes da noite, num restaurante típico

Três horas depois chegamos a Amantaní, mais uma vez muito bem recebidos pelas famílias locais. Destes momentos ainda näo tenho fotos porque a minha máquina resolveu obrigar-me a sentir tudo sem me distrair com as imagens e ficou sem bateria. Mas näo mais me irei esquecer da Celina, do Antoni, do Jose e do Diego. Criancas amáveis e sorridentes que brincaram e dancaram connosco (“Vamos a bailar!”, disse-me o Jose, de sete anos, no baile que nos prepararam, enquanto me agarrava nas mäos e me conduzia na danca). Fiquei impressionada como vivem e säo felizes sem chuveiro e a ter de fazer uma hora de caminho a pé para irem para a escola (duas horas por dia, se contarmos ida e volta, faca Sol ou faca chuva). Olhares e sorrisos que jamais vou esquecer, numa ilha cheia de beleza e energia que täo amavelmente nos acolheu. No regresso, uma paragem no meio do lago para uma cerimónia conduzida pela Eliana (uma peruana que trabalha com a energia dos anjos e com a vibracao e som das tacas de cristal). Uma experiência que um dia vou voltar a querer repetir (o Lago Titicaca é considerado um dos locais de maior vibracao e energia feminina do Peru).

Amanhä é o nosso último dia em Puno e quase o final da jornada para algumas. Espera-nos um passeio com um xamä local.

PS – mais uma vez, um teclado fraco a Português. Todos os erros de acentuacao sao corrigidos em solo nacional…

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Dia 20:

O nosso novo motorista a tentar retirar-nos da confusao domingueira de Cusco

Ainda vamos voltar a Cusco antes de regressarmos aos nossos países de origem, mas hoje é dia de partirmos para Puno onde ficaremos quatro noites. O caminho é muito longo (cerca de sete horas de viagem) e vamos ter de mudar de motorista porque a carrinha do Jenez avariou-se e ao domingo nao se encontram mecânicos. A viagem vai parecer mais curta, pois paramos várias vezes pelo caminho com algumas surpresas que nos animam o dia. Comecamos pelo movimentado mercado de Cusco, que ao domingo se enche literalmente de gente porque os produtos sao baratos. E sao bons, como vamos verificando. A nossa guia Fidelus vai saindo da carrinha e aparece com choclo (milho cozido, que aqui se come muito), cana de acucar e uma espécie de pequenas cerejas (eu diria mais ginjas, porém deliciosas).

Meditacao em frente ao Templo de Viracohca, em Raqchi

A próxima paragem é o complexo sagrado de Raqchi, a uma hora de Cusco, onde nos detemos em frente ao Templo de Viracocha. A Fidelus já nos tinha explicado que Viracocha é como o Deus dos Incas, uma energia que reúne todas as forcas divinas e da Natureza e que é invocada muitas vezes como proteccao em rituais xamânicos (de influência Inca) e celebracoes Incas. Neste caso, Viracocha foi o oitavo governante do Império Inca, que se diz ter sonhado com o poderoso deus e, por isso, ficou com o seu nome. Este templo é-lhe dedicado e aqui se realizavam os rituais mais importantes. Como a nossa viagem tem, sobretudo, um intuito de descoberta interior e aprendizagem espiritual, este é mais um dos variados pontos onde nos detemos para sentir a energia e fazer uma pequena cerimónia de homenagem (ou meditacao, se assim o quisermos chamar).

O famoso "cuy" peruano, quentinho a sair do forno

Entender uma cultura passa muito por conhecer a sua história, mas também conversar com as suas gentes. É isso que temos feito ao longo de toda esta jornada. E há revelacoes surpreendentes e tradicoes que, primeiro, nos causam alguma repulsa, mas até tentamos entender. De saída de Raqchi, paramos num restaurante famoso pelo seu cuy. E somos convidados a entrar e provar, com batatinhas no forno. Mas o que é, afinal, o cuy, que tantas pessoas atrai aos restaurantes (chegam a vir de Cusco só para comê-lo)? Nao sei se lhe chame hamster ou porquinho da Índia, mas é isso mesmo. Um animal que, em Portugal, por exemplo, temos como bichinho de companhia. Provei o cuy, mas nao sei se foi pela associacao, preferi ficar-me pelas deliciosas batatas no forno (como já referi, aqui há milhentos tipos e para todos os gostos, com um delicioso molho a acompanhar). De barriga cheia de batatas (se fosse peruana teria sido de cuy), seguimos para Puno. Só que ainda nos fazem uma surpesa pelo caminho.

Paramos nas famosas piscinas quentes de Sicuani, onde nos mostram o vulcao mais pequeno do mundo e onde nos esperam para uma sessao de banhos e de tratamento de pele com lama. Como a regiao é vulcânica, a água é naturalmente quente e quase nos sentimos num SPA (cheias de lama nao é possível tirar fotos, por isso os registos estao na máquina do Alberto). Imaginem-se piscinas públicas, depois com umas casinhas que servem de privados, cheias de pessoas divertidas em águas naturalmente borbulhantes. É tudo ao ar livre e nao há grandes luxos, mas o espaco é muito bem cuidado pelos  habitantes da zona que se revezam para preservar a maravilha natural (dizem que calha um mês de tarefas a cada pessoa).

Ao quinto controlo policial, a 50 quilómetros de Puno, a polícia resolveu implicar

Divertidas e revigoradas depois do banho quente e do tratamento com lamas, seguimos adormecidas para Puno. Sao quase mais três horas de viagem, parte das quais por estradas ainda esburacadas pelas fortes chuvas do último ano. A polícia aqui controla em demasia quando se sai de uma regiao para se entrar noutra. Pelos vistos, os condutores precisam de autorizacoes para circular em cada regiao. Fomos parados cinco vezes para mostrar documentos e, nao sei por que razao, à quinta vez tivemos problemas. Já estávamos a chegar à regiao de Puno e a polícia resolveu implicar com a nossa carrinha. Qual seria a solucao? Pagar 300 soles de multa por falta de documentos ou fazer uma “oferta” de 130 soles aos rigorosos polícias. O que teriam feito neste caso?! Fica à imaginacao de cada um o que terá feito o nosso motorista.

Chegamos ao hotel de Puno já à hora de jantar e com muito cansaco em cima. Amanha vamos visitar as ilhas de Uros e Amantani, onde passaremos a noite com uma família local para vivermos novas experiências e rituais.

PS – mais uma vez, um teclado fraco a Português. Todos os erros de acentuacao sao corrigidos em solo nacional…

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Dias 18 e 19:

O Q'ero Cesar Augusto na reserva de lamas e alpacas

O nosso destino nestes dias é Cusco, mas até lé chegarmos ainda vamos ter várias paragens pelo caminho. Quando nos foram buscar ao hotel fomos surpreendidas pela presença de um Q’ero, desta vez Cesar Augusto. Acompanhou-nos durante o dia, quase como um conselheiro espiritual que nos ia perguntando o que querìamos saber e nos pedia para pensarmos com ele sobre a vida e o nosso papel neste Mundo. E tudo parece tao simples para quem vive deste lado do mundo! “Age com o coraçao”, “Conecta-te com a Natureza”; “Faz o que queres fazer a cada momento, sempre com honestidade”; “Nao queiras viver tudo de uma vez, cada coisa a seu tempo”. O Q’ero vai acompanhar-nos nestes dois dias e é com ele que vamos viver um dos momentos mais intensos desta viagem: uma cerimónia no Templo da Lua.

O animado Q'ero nos escorregas naturais perto de Cusco

Pelo caminho que nos leva a Cusco paramos ainda numa reserva animal, nas fontes de Tambo Machay e em antigos santuários Inca. A polícia está especialmente atenta hoje e, por isso, somos obrigados a sair do carro e andar a pé pela mata que nos conduz ao santuário (o nosso motorista Jenez nao tem uma autorizacao que nao entendi muito bem, mas vai esperar-nos no final do percurso). O Q’ero que nos acompanha é dos mais enérgicos que já vi. Pára pelo caminho para nos fazer cheirar as plantas e dar alguns “recados” e nao se cansa de dizer: “nao corram, andem devagar, apreciem a Natureza!” Mas ele próprio nao pára um segundo, como se verifica mais tarde nos escorregas de pedra que sao atractivo de fim-de-semana dos locais.

Chegamos finalmente a Cusco, uma cidade que é local de passagem escolhido e obrigatório para os turistas que se deslocam a Machu Picchu. Para mim, é demasiado confusa e agitada, mas vale pela experiência. Ficamos em casa da Maria (uma inglesa que um dia resolveu mudar de vida e veio viver para o Peru) e é lá que recebemos, à noite, a visita de Doris. Imagine-se uma leitura de cartas de Tarot. A Doris comecou por aí, mas há 25 anos que, em vez das cartas, utiliza folhas de coca para as leituras (que, como explica, eram fonte de adivinhacao dos Inca, mas agora sao mal utilizadas e, em grandes quantidades, resultam na destrutiva cocaína).

A praca principal de Cusco, vista do miradouro

No segundo dia na cidade visitamos o mercado de Cusco, a catedral (que tem uma pedra sagrada, à volta da qual nos detemos a meditar) e a loja do Alberto, um dos nossos anfitrioes. É peruano, mas andou a viajar pelo mundo e a conhecer tribos e diferentes culturas, onde bebeu influencias. Agora apresenta aos turistas o melhor da regiao (poderia dizer que é um guia, mas encaramo-lo mais como amigo) e tem uma pequena loja em Cusco onde vende artigos feitos por si (espanta-espíritos, colares, anéis, maracas e tudo o que a criatividade possa originar).

A última noite em Cusco – antes de partirmos para Puno – é das mais exigentes física e espiritualmente falando. O Q’ero Cesar Augusto faz-se acompanhar pelo filho de sete anos (também Cesar Augusto e já a aprender todos os segredos dos rituais para suceder ao pai) e conduz-nos numa jornada interior até ao Templo da Lua. Na realidade, nao podemos entrar no templo (uma pedra no meio da Natureza) porque é vigiado por guardas. Vamos fazer a nossa cerimónia da Lua, em noite de Lua Cheia, na área próxima do templo. Primeiro, é preciso alinharmo-nos com as forcas da Natureza. Caminhamos sem fim – e por caminhos que desafiam o mais preparado dos atletas – até uma cascata para comecarmos a nossa jornada. Está demasiado frio. O que acontece até ao final da nossa noite em Cusco vai ficar para sempre nas nossas memórias e nao teve registos (há coisas que sao tao vividas interiormente que, mesmo que se fotografassem, nao se conseguiria transmitir o seu valor). Só posso dizer que o que o Q’ero transmitiu é possível a todos os seres humanos: “Vamos deixar para trás todo o passado e os pesos que nos impedem de seguir em frente e vamos renascer para uma nova vida”. Posso, também, garantir que ninguém ficou indiferente e no dia seguinte comecaram a notar-se algumas mudancas.

PS – acentos corrigidos à chegada, pois os teclados peruanos continuam a nao falar português…

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Dias 16 e 17:

Vir ao Peru sem ir a Machu Picchu, utilizando a famosa expressao, é como ir a Roma e nao ver o Papa. Claro que o santuário histórico dos Incas, Património da Humanidade, é local obrigatório de visita e, talvez por isso, as expectativas sejam muitas. De onde nos encontramos (Pisac), o acesso faz-se de comboio a partir de Ollantayambo.

O comboio turístico de Ollantayambo para Águas Calientes

Por incrível que pareça, a nossa guia Fidelus nao pode ir connosco já que existem comboios para turistas e para locais. Os turistas pagam um pouco mais e têm direito a um snack durante as duas horas que dura a viagem.

Viajamos ao longo do rio Urubamba, que continua a correr furioso e intempestivo. Às vezes desaceleramos a marcha, à passagem pelas povoaçoes, sob o olhar atento das crianças que muitas vezes encontramos bem perto da linha.

Avisam-nos para nao atirar nada pela janela, pois podemos pôr em perigo a vida dos pequenos. Confesso que nao me agrada o que vejo. Nós, turistas, confortavelmente sentados no comboio, olhamos com espanto e entusiasmo para as crianças como se estivéssemos num museu. Tudo bem que a alegria e ingenuidade deles é fascinante, mas nao exageremos. E começo a considerar que, apesar da sua falta de bens materiais, sao bem mais felizes do que nós. Pelo menos, aprendem a viver com muito menos e vivem num local fantástico do ponto de vista da Natureza e qualidade de vida.

O santuario Inca de Machu Picchu

Quanto a Machu Picchu, ainda digerimos a experiência. Por um lado, estamos num local com uma energia incrìvel, onde somos invadidos por vàrias sensaçoes. Por outro lado, o excesso de pessoas retira parte da beleza a Machu Picchu. A localidade mais pròxima è Aquas Calientes, um destino turìstico completamente virado para o comèrcio que deixa muito a desejar a quem quer apenas passar uns momentos sossegados e a reflectir. Nao hà tenda onde nao nos impinjam algo para vender; nao hà restaurante onde se possa passar sem que nos ofereçam um menu com preço especial; nao rua em que se possa passar despercebido e sem ver pessoas.

O dia de amanha promete ser bem mais calmo e com muitas aprendizagens pela frente. Espera-nos um passeio com um Q’ero e uma sessao com uma senhora que lê o futuro em folhas de coca. Voltamos de comboio turìstico a Ollantaytambo, desta vez com direito a passagem de modelos (querem vender as las de alpaca) e a uma dança tìpica com um homem vestido de diabo (mas um diabo animado e pouco convencional).

PS – Os acentos serao corrigidos à chegada, pois estes teclados nao sabem falar português…

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Dia 15:

O dia promete ser longo, com uma visita aos templos de Ollantayambo (onde se encontram, entre os vários templos Inca, o Templo do Condor e o Templo do Sol); uma passagem pelo mercado tradicional de Chinchero e uma cerimónia nocturna com Don Basílio, hoje um ritual com o Fogo.

O Templo do Condor

A cerca de uma hora e meia de distância do nosso hotel em Pisac ficam os templos antigos de Ollantayambo. Um excelente exemplo da planificacao urbana dos Incas e um importante centro cerimonial, por isso, um incontornável ponto de visita. Perdemo-nos nos inúmeros terraços agrícolas (cultivados pelos Incas), que nos vao levando até à fortaleza e aos diferentes templos. Além do Templo do Sol, detemo-nos em frente ao importante Templo do Condor (o condor representava a conexao ao Mundo Superior, um dos três mundos da cultura Inca) para uma pequena meditacao. Ollantayambo é, também, a única cidade Inca no Peru que ainda é habitada, cheia de ruas calcetadas e em serpente. A praca principal – como em quase todas as localidades que visitámos – enche-se de tendas com os produtos tradicionais. Mais uma vez, os vendedores impingem-nos malas, barretes, ponchos, mantas e tudo aquilo para o que possamos olhar. O segredo dos verdadeiros achados continua a ser regatear sempre os valores.

Músicos tradicionais do Peru tocam num restaurante com vista para o rio Urubamba

A pausa para almoço é feita num restaurante preparado para turistas, sem que isso queira dizer que é mau ou pouco tradicional. No buffet existem quase todos os pratos típicos peruanos e o próprio restaurante fica num local privilegiado, no meio da Natureza, com vista para o rio Urubamba (as chuvas dos últimos dias encheram-no de tal forma que o impacto da sua corrente merece todo o nosso temor e respeito).

"Pisco Sour", a bebida típica

Somos recebidos com música tradicional peruana (sem faltar o famoso El Condor Pasa) e com a bebida de boas-vindas, o famoso Pisco Sour. Nos jardins do restaurante passeiam-se Lamas e Alpacas (cujo pêlo é importante matéria prima para as têxteis peruanos) e encontramos o Ebes. Tem sete anos, já esteve na escola durante a manha (“Estou no terceiro ano!”, diz orgulhoso) e da parte da tarde ajuda a mae a vender produtos tradicionais. Deixamos o Ebes com os seus pequenos fantoches em la, do tamanho dos dedos, e vamos aprender a fazer as cores para os tecidos.

Uma mulher vestida com o fato típico de Chinchero prepara as cores para as las

Chinchero é outro dos locais obrigatórios para quem visita esta zona do Peru. Além de uma magnífica igreja (que alberga importantes estátuas e representacoes em ouro), tem um importante mercado tradicional e é onde podemos encontrar os exemplares de têxteis mais típicos. Todos feitos à mao (um gorro trabalhado, por exemplo, pode demorar um mês a fazer), o que se faz também notar no preco quando comparado com outros mercados.

Numa espécie de fábrica artesanal, somos recebidas por mulheres vestidas a rigor que nos mostram como conseguem todas as cores que encontramos nas roupas e acessórios dos mercados (se brilham sao sintéticas e o azul é o mais difícil de fazer, aprendemos nesta visita). Apesar de também haver vendedores de rua, em Chinchero o ponto forte sao as lojas. Cada um dos vendedores tenta fazer negócio à nossa passagem. “É a primeira venda do dia, dá sorte ao negócio”, explicam-nos. É que, com as cheias do ano passado, que isolaram Machu Picchu, o turismo ressentiu-se e vende-se pouco em Chinchero. Fazemos a compra de cortesia e seguimos para Pisac.

 O dia termina com a cerimónia do Fogo, conduzida por Don Basílio. O Q’ero tem o que se chama de “olhos de sonhador”, uma porta de ligacao directa com o mundo nao visível. Dizem-nos que tudo o que sabe aprendeu com os ancestrais. Já o pai e o avô dirigiam cerimónias e tinham contacto privilegiado com os espíritos da Natureza. Para nós, foi um privilégio conhecer Don Basílio.

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Dia 14:

Visto de cima, o Vale Sagrado tem a forma de um condor (o guardião do Mundo de Cima para os Incas)

Depois de uma noite reparadora é outra vez dia de levantar cedo para conhecer ao pormenor os vestígios incas da regiao de Pisac, à qual se chama Vale Sagrado. Além dos guias habituais, hoje também levamos o Jesus e o Don Basílio para orientar a nossa cerimónia à Mãe Terra (Pachamama). Paramos, primeiro, nas ruínas Incas de Pisac para nos determos numa impressionante paisagem.

A porta principal da construção Inca

A Fidelus explica-nos que os Incas viveram ali e estes são os seus vestígios. As terras ainda hoje são cultivadas pela população, seguindo a crença Inca da dualidade (masculino e feminino sempre presentes e complementares). Assim, a Terra representa o feminino e a Água o masculino que a nutre e complementa para dar vida (cultivo, neste caso). Impressionante ver as perfeitas e bem pensadas construções Incas e os buracos nas montanhas que fazem lembrar tocas, mas que afinal sao túmulos (os mortos eram enterrados em posição fetal, pois os Incas acreditavam noutras vidas e é em posição fetal que se renasce).

Os "terraços" circulares de Moray

Ainda impressionadas com a grandiosidade da paisagem nas ruínas Incas, chegamos a Moray. Aí encontramos a terra dividida em pequenos “terraços” em forma circular. Mais uma vez, explica Fidelus, tudo bem pensado para a principal actividade dos Incas: a agricultura. Como não nos é permitido entrar no primeiro grande “terraço”, encontramos no segundo um excelente local para uma cerimónia à Pachamama (Mãe Terra).

A cerimónia com Don Basílio

Don Basílio é um q’ero (o equivalente a xamã nas últimas comunidades Incas), líder de cerimónias, que nos vai conduzir nesta aventura. Recuamos no tempo ao som da flauta dos Andes (tocada pelo Jesus) e deixamos que Don Basílio honre a Natureza e nos conduza numa bonita cerimónia. Vamos voltar a vê-lo amanhã, para novas cerimónias e aprendizagens.

As energias que nos restam vão agora para as salinas de Maras, antigas piscinas de sal, também um legado Inca, que ainda hoje são utilizadas recorrendo a técnicas daquele tempo.

As salinas Incas de Maras

 

Nos meses mais secos, diz-nos Fidelus, encontramos todas as pessoas da povoação de Maras a trabalhar nas salinas, incluindo as crianças. O sal produzido abastece toda a região e é conhecido pelas suas propriedades terapêuticas.
O dia acaba com o jantar em Pisac e o descanso merecido para amanhã visitar o templo do Condor, o Santuário do Vento e o mercado típico de Chinchero.

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Dia 13:

O señor Angel foi buscar-nos bem cedo ao hotel, em Lima, para seguirmos viagem até Cusco. Nas ruas ainda há vestígios da longa noite de sábado para alguns dos peruanos, o que não nos deixa nenhuma inveja, pois a diferença horária só nos faz ter vontade de dormir. A um domingo bem cedo e a estas horas da madrugada, a cidade parece bem menos caótica do que encontrámos até aqui. No aeroporto apanhamos um voo doméstico que, em apenas uma hora, nos deixa em Cusco, onde nos esperam a Maria e a nossa guia Fidelus. Aqui iremos voltar daqui a uns dias porque, para já, o nosso destino é Pisac (a 3o quilómetros de Cusco).

Mercado em Pisac

O contraste com a capital é impressionante. Imagine-se um vale, rodeado de enormes montanhas cobertas de verde. Na pequena localidade é dia de festa (a Festa de Água, associada ao Carnaval) e há um mercado onde se pode encontrar todo o tipo de artigos tradicionais, bem como os produtos agrícolas da região que os locais vendem nas bancas. Nenhum preço é fixo. Tudo se pode – e deve – regatear. Do centro da vila ao hotel sao 15 minutos a caminhar pela estrada, rodeadas pela natureza, mas ainda pelos carros e motociclos (estes que também servem de táxi), sempre a apitar à passagem, como que a avisar que devemos ter cuidado.

Chá de folhas de coca

Para habituarmos o corpo à altitude, recomendam-nos o chá de coca (estimulante e muito bom, mas já sabemos que no aeroporto nos confiscam as folhas que tentarmos levar para casa). Somos recebidas com um almoço num restaurante tradicional com vista para o mercado. Hoje o dia é de adaptação à altitude e à energia que nos esperam, já que Cusco e o Vale Sagrado que vamos ver são importantes locais de culto. Amanhã a agenda inclui uma cerimónia e a visita às ruínas Incas de Pisac.

A partir da varanda do pequeno restaurante, ao estilo de um balcão de taberna virado para a rua, observamos as pessoas e os seus trajes. As saias são típicas e a Fidelus explica-nos que existem vários modelos, cada um com o seu significado (através da roupa, por exemplo, identificam-se as mulheres solteiras e as casadas). Também podemos observar as crianças, de caras encardidas – porque passam o tempo a sujar-se nas ruas, livres, sem preocupações exageradas – e a maior parte a trabalhar desde cedo no negócio da família. Outras trajadas a rigor e a chamar “señora, señora”. Com um pequeno animal ao colo, pedem para ser fotografadas em troca de umas moedas (que aqui se chamam soles).

Das várias experiências do dia ficaram-nos o ambiente completamente diferente do que estamos habituados, a simplicidade e simpatia das pessoas, a comida típica (como acompanhamento, arroz branco e papas e mais papas – batatas – que aqui existem centenas de qualidades).

Outra das experiências do dia foi o táxi que nos levou de volta ao hotel, cuja imagem aqui deixo. Claro que há os táxis mais convencionais, quase sempre carros de marca japonesa, mas quem nunca andou de táxi-motociclo nao deve perder a oportunidade. Por 2 soles (menos de 0,70 cêntimos) é possível encontrar lugar para três e ir a rir o caminho inteiro…

Até amanhã!

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Dia 12:

Uma das muitas igrejas de Lima e um dos inúmeros taxistas

Hoje foi o último dia na capital peruana. Ficaram alguns monumentos para ver, muitas lojas de produtos típicos para fazer compras e inúmeras igrejas para entrar (que por cá existem a cada esquina, cada uma dedicada a seu santo). Mas fomos a dois locais imperdíveis: o monte San Cristobal e o Museu do Ouro.  Nos dois casos, impossível de seguir a pé desde o hotel. Tentamos fazer o que recomendam os guias: chamem um táxi credenciado no hotel ou sigam no autocarro colectivo que chama as pessoas nas ruas para as levar ao monte.

A sagrada cruz onde se fazem e desfazem amores e o "transporte colectivo" que nos levou ao monte

Há pouco tempo vi um documentário sobre uma mulher que trabalhava numa carrinha a “recolher” passageiros na rua. Abre a janela e/ou a porta e grita o destino para onde nos leva. Na altura ignorei o país, mas agora quase que juro que era no Peru. Foi assim connosco. Entrámos na carrinha (onde se improvisam bancos para os passageiros, além dos oficiais) e demos umas três voltas à mesma área até encher o “colectivo” que nos levou ao monte San Cristobal. A senhora que nos “recolheu” desaparece para dar lugar a um guia que vai explicando a história da cidade e a magia daquele monte. Subimos a 400 metros de altitude por ruas muito estreitas, autênticos morros com aglomerados de casas muito pobres. A meio da subida – com o “colectivo” lotado  – ainda se arranjam mais  lugares para quatro turistas que, sabe-se lá porquê, saem de um táxi que parece que nos aguarda. Encosta acima, esperamos a melhor vista sobre a cidade e uma cruz sagrada em frente à qual se pede casamento (acendendo uma vela vermelha) ou se espera o milagre do divórcio (acendendo uma vela preta). Recuso-me a dizer que vela acendi (além destas havia outras cores e um papel com os seus significados)…

Vista para Lima, com os seus 6 milhoes de habitantes

A vista sobre a cidade surpreendeu pelo que encontrámos de desorganizado. A primeira imagem que me surgiu foi a de um cenário de guerra quando vemos os directos dos repórteres na televisao. Milhares de casas aglomeradas, algumas coloridas posicionadas nos morros, centenas de carros pelas avenidas e as marcas da campanha eleitoral para a presidência do Peru, que decorre em Abril. Até aos montes alguns candidatos conseguiram chegar, com dizeres escritos a branco que se topam à distância (mal comparado, em vez de Hollywood está escrito “Toledo” ou “Vota Castañeda” nos cumes). Voltamos ao centro da cidade, desta vez a uma velocidade alucinante pelas apertadas estradinhas (para baixo todos os santos ajudam, certo?!). Tento distrair a mente cada vez que o motorista apita para avisar que vai entrar na curva ou cada vez que me interrogo “será que os travões funcionam bem?!”

De volta ao centro, chamamos o señor Angel. Pelos vistos, mora perto do hostal e é um dos taxistas oficiais. É ele que nos vai levar ao Museu do Ouro, que ainda fica a meia hora de distância. É ele que nos vai mostrando, à passagem, os distritos mais modernos da cidade (Miraflores e San Isidro, por exemplo, onde vivem os que têm mais dinheiro e onde se encontram as embaixadas, como a portuguesa). Vemos centros comerciais, casas modernas, alguns jardins.

É também o señor Angel que nos fala dos candidatos nos cartazes e nos explica que a filha de Fujimori (antigo presidente do Peru, agora detido) é a grande candidata à vitória no país. Percebe-se que ele preferia o actual alcalde (presidente da câmara), já que fez obra que se vê e, pelos vistos, cumpre o que promete. Pergunta-me quem é o presidente português e o que tem feito pelo país. Pergunta-me se estamos contentes e se é só no Peru que não se cumprem as promessas eleitorais. Imaginam o que gostaria de poder dizer ao señor Angel…

Este domingo continuamos a aventura em Cusco.

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