Dia 20:

O nosso novo motorista a tentar retirar-nos da confusao domingueira de Cusco
Ainda vamos voltar a Cusco antes de regressarmos aos nossos países de origem, mas hoje é dia de partirmos para Puno onde ficaremos quatro noites. O caminho é muito longo (cerca de sete horas de viagem) e vamos ter de mudar de motorista porque a carrinha do Jenez avariou-se e ao domingo nao se encontram mecânicos. A viagem vai parecer mais curta, pois paramos várias vezes pelo caminho com algumas surpresas que nos animam o dia. Comecamos pelo movimentado mercado de Cusco, que ao domingo se enche literalmente de gente porque os produtos sao baratos. E sao bons, como vamos verificando. A nossa guia Fidelus vai saindo da carrinha e aparece com choclo (milho cozido, que aqui se come muito), cana de acucar e uma espécie de pequenas cerejas (eu diria mais ginjas, porém deliciosas).

Meditacao em frente ao Templo de Viracohca, em Raqchi
A próxima paragem é o complexo sagrado de Raqchi, a uma hora de Cusco, onde nos detemos em frente ao Templo de Viracocha. A Fidelus já nos tinha explicado que Viracocha é como o Deus dos Incas, uma energia que reúne todas as forcas divinas e da Natureza e que é invocada muitas vezes como proteccao em rituais xamânicos (de influência Inca) e celebracoes Incas. Neste caso, Viracocha foi o oitavo governante do Império Inca, que se diz ter sonhado com o poderoso deus e, por isso, ficou com o seu nome. Este templo é-lhe dedicado e aqui se realizavam os rituais mais importantes. Como a nossa viagem tem, sobretudo, um intuito de descoberta interior e aprendizagem espiritual, este é mais um dos variados pontos onde nos detemos para sentir a energia e fazer uma pequena cerimónia de homenagem (ou meditacao, se assim o quisermos chamar).

O famoso "cuy" peruano, quentinho a sair do forno
Entender uma cultura passa muito por conhecer a sua história, mas também conversar com as suas gentes. É isso que temos feito ao longo de toda esta jornada. E há revelacoes surpreendentes e tradicoes que, primeiro, nos causam alguma repulsa, mas até tentamos entender. De saída de Raqchi, paramos num restaurante famoso pelo seu cuy. E somos convidados a entrar e provar, com batatinhas no forno. Mas o que é, afinal, o cuy, que tantas pessoas atrai aos restaurantes (chegam a vir de Cusco só para comê-lo)? Nao sei se lhe chame hamster ou porquinho da Índia, mas é isso mesmo. Um animal que, em Portugal, por exemplo, temos como bichinho de companhia. Provei o cuy, mas nao sei se foi pela associacao, preferi ficar-me pelas deliciosas batatas no forno (como já referi, aqui há milhentos tipos e para todos os gostos, com um delicioso molho a acompanhar). De barriga cheia de batatas (se fosse peruana teria sido de cuy), seguimos para Puno. Só que ainda nos fazem uma surpesa pelo caminho.
Paramos nas famosas piscinas quentes de Sicuani, onde nos mostram o vulcao mais pequeno do mundo e onde nos esperam para uma sessao de banhos e de tratamento de pele com lama. Como a regiao é vulcânica, a água é naturalmente quente e quase nos sentimos num SPA (cheias de lama nao é possível tirar fotos, por isso os registos estao na máquina do Alberto). Imaginem-se piscinas públicas, depois com umas casinhas que servem de privados, cheias de pessoas divertidas em águas naturalmente borbulhantes. É tudo ao ar livre e nao há grandes luxos, mas o espaco é muito bem cuidado pelos habitantes da zona que se revezam para preservar a maravilha natural (dizem que calha um mês de tarefas a cada pessoa).

Ao quinto controlo policial, a 50 quilómetros de Puno, a polícia resolveu implicar
Divertidas e revigoradas depois do banho quente e do tratamento com lamas, seguimos adormecidas para Puno. Sao quase mais três horas de viagem, parte das quais por estradas ainda esburacadas pelas fortes chuvas do último ano. A polícia aqui controla em demasia quando se sai de uma regiao para se entrar noutra. Pelos vistos, os condutores precisam de autorizacoes para circular em cada regiao. Fomos parados cinco vezes para mostrar documentos e, nao sei por que razao, à quinta vez tivemos problemas. Já estávamos a chegar à regiao de Puno e a polícia resolveu implicar com a nossa carrinha. Qual seria a solucao? Pagar 300 soles de multa por falta de documentos ou fazer uma “oferta” de 130 soles aos rigorosos polícias. O que teriam feito neste caso?! Fica à imaginacao de cada um o que terá feito o nosso motorista.
Chegamos ao hotel de Puno já à hora de jantar e com muito cansaco em cima. Amanha vamos visitar as ilhas de Uros e Amantani, onde passaremos a noite com uma família local para vivermos novas experiências e rituais.
PS – mais uma vez, um teclado fraco a Português. Todos os erros de acentuacao sao corrigidos em solo nacional…
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