
"O Xamanismo no Feminino", palestra na Espiral - 18 Jan 2011
Agradeço a todos os que estiveram presentes ontem na Espiral para ouvir falar do Xamanismo no Feminino. Vim a pensar que, sem intenção, poderia ter passado mais a ideia de uma abordagem sociológica de género do que propriamente sobre o tema que tanto me apaixona e a propósito do qual nos reunimos.
Por um lado, a forma como encaro o Xamanismo é aplicando-o ao dia-a-dia, que se confronta com muitas e difíceis abordagens (que incluem muitas questões e, obviamente, também as de género). Por outro lado, o Xamanismo é algo que “está” em nós, daí ser-me difícil olhar para ele como algo exterior que possa ser, apenas e só, teoricamente explicado (já para não falar da sua complexidade).
Em resumo, o que gostava que tivesse ficado bem claro é o seguinte:
O Xamanismo é uma sabedoria antiga, de origem tribal, praticada há milhares de anos por homens e mulheres. Apesar de todas as variações, na sua origem mais primordial está esse amor/reverência à Terra (como nossa mãe) e ao Espírito através de todas as suas formas de criação.

"O Xamanismo no Feminino", palestra na Espiral - 18 Jan 2011
Como seres que dão vida, as mulheres têm essa ligação profunda com a Grande Mãe Terra (se quisermos, como diziam tribos no México, através do útero e do poder/sabedoria inata que carrega). O que nos acontece muitas vezes é estarmos desconectadas dessa sabedoria intuitiva e fonte de criatividade que possuímos. Daí fazer sentido falar em Feminino no Xamanismo.
Dizem os entendidos que a Terra chora de dor e destruição (por isso assistimos a tantas catástrofes naturais, muitas delas a provar-nos que somos muito pequeninos e impotentes comparados com a sabedoria e força da Natureza). A sociedade encheu-nos de papéis que temos de desempenhar. As questões de género polarizaram-se no masculino (ao reivindicarem os seus justos direitos, as mulheres como que se “masculinizaram”). Onde há lugar, então, para deixar surgir essa sabedoria inata?
O convite é, por isso, o de religação com o nosso feminino, com a Terra, com a sensibilidade e intuição que nos surgem por direito e natureza. Claro que os homens (ou a energia masculina) têm parte activa neste processo. O dinamismo, acção, empreendedorismo são muito necessários nesta transformação. Mas também o são a reflexão, a sensibilidade, a capacidade equilibrada de “cuidar” que tem o feminino.
Cada ser humano – seja homem ou mulher – só pode funcionar ao seu nível mais profundo se tiver os lados feminino e masculino (Yin e Yang) equilibrados. E é isso que o Xamanismo nos está actualmente a convidar a fazer. Seja homem ou mulher, nutra o seu lado “feminino”, deixe-o manifestar-se sem medo do que os outros possam pensar.
Deixo, no próximo post, a mensagem de Eliana Harvey (mentora da Shamanka School of Women) que foi enviada a pensar nos que estiveram presentes no encontro de ontem.
Obrigada e até breve!
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