Tinha pensado, nos próximos dias, enquanto estou ausente, apenas deixar umas pequenas frases no blogue para que não pareça abandonado. Mas os convites que a vida me tem feito a olhar para algumas questões com as quais me debato levaram-me a querer vir aqui partilhar algo mais.
Aterrei já noite num país cheio de neve, como nos verdadeiros contos de Natal. Até ao destino tinha 250 quilómetros de condução pela frente, que costumo fazer em menos de três horas. Desta vez, estava à minha espera uma das maiores e mais gratificantes “jornadas” que posso dizer que fiz nos últimos tempos.
Alguém tem compaixão de mim: “Bolas! Que grande stress!!!” Hmmm. Não, desta vez não. Muito pelo contrário. A velocidade baixíssima a que era obrigada a andar em conjunto com a música, tudo branco à minha volta e as pessoas solidárias a ajudarem-se mutuamente levou-me a entrar em total estado de paz interior e a acreditar que, apesar do perigo, vale a pena correr o risco. Troquei o medo inicial por várias certezas. Eu sabia que ia chegar ao meu destino sã e salva; eu sabia que esta era uma oportunidade única de usufruir de uma grande aventura; eu sabia que não iria ficar bem se escolhesse o mais cómodo e não corresse o risco. Aliás, se tivesse escolhido ficar num hotel e viajar no dia seguinte já não seria possível porque as estradas foram cortadas. Tinha um objectivo em mente (chegar viva ao meu destino) e nada me fazia desfocar dele.
“Take the risk!”, dizia alguém a propósito do que fazemos com as nossas vidas. Eu concluí que quando temos muito a certeza de algo e estamos confiantes que vai dar certo, nada poderá mostrar-nos o contrário. Concluí, também, que a vontade e o poder pessoal podem muito mais do que qualquer força exterior que nos tente impedir (com as devidas excepções, é claro, e com as devidas precauções).
Não queria deixar de partilhar uma foto desta absoluta beleza que me fez realmente sentir aquilo que já sabia, mas de que me esqueço muitas vezes: não importa as adversidades que nos aparecem pela frente; a diferença está na forma como as olhamos e vamos além delas.
Até já!